Vai uma mãozinha aí?????

Finalmente consegui matar aquela garrafinha dos 52%… bebi sem gelo, e sem noção do perigo… deu uma dor de cabeça danada, mas foi bom, o inverno está começando e ajudou a esquentar. Acordei no outro dia com a cabeça inchada, parecia que eu tinha bebido três garrafas de Velho Barreiro. Só depois de curada a ressaca é que resolvi ler o rótulo com mais calma… ou tentar ler… e descobri que a dita cuja não tem 52%, mas 56% - nem percebi a diferença, aliás, não percebi muita coisa… mas tô vivo, ainda.

Mudando de assunto, hoje andei de metrô de novo, e levei a câmera pra tirar umas fotos. É bem parecido com o de São Paulo, só que com muito mais chineses dentro, muito mais mesmo. Geralmente os trens andam cheios aqui, mas essa semana estão ainda mais lotados porque muita gente do interior vem passar o feriadão na capital.
E pensa que fica alguém de fora??? Que nada, cabe todo mundo! Bem espremidinho, mas cabe. Tem uma mulher uniformizada que fica na plataforma e dá uma mãozinha pro pessoal entrar no metrô. Ou seja, ela fica no final da fila empurrando o pessoal pra dentro. Empurra mesmo, com as duas mãos - e os pés, se for preciso -, não quer nem saber se tem espaço pra todos, vai berrando e empurrando, e o trem só sai quando ela libera a porta, mas não sem antes dar um último empurrãozinho.

Amanhã ainda escrevo antes de viajar pra Mongólia.

Zàijiàn.

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É hoje!!!!

Abri a porta já meio torto (ah, essa cerveja barata!), tentei ligar a TV mas o controle não não funcionou (e daí? Eu não entendo porra nenhuma do que eles falam na TV)…sentei na cama e abri o frigobar à procura de um chocolate, um iogurte, um doce qualquer … só tinha cerveja… que problema!… Coloquei as mãos na cintura, olhei pela janela, vi uma árvore enorme e pensei “E agora? O que eu faço? Só tem cerveja! Não vou caminhar cinco minutos pra comprar um chocolate às dez horas da noite!” Abri a janela e coloquei o braço pra fora, não estava chovendo…tentei ligar a TV mais uma vez… nada… olhei para o frigobar aberto, escancarado, cheio de cerveja chinesa… “ah, só mais uma não vai fazer mal…”.

Me curvei para pegar uma latinha - só uma - quando vi, de relance, uma pequena garrafa verde, escondida num canto, esquecida ali num passado não muito distante… Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim… eu disse “É hoje!”. Vou tomar tudo hoje e ver o que esses 52% fazem comigo. Amanhã, se eu já estiver recuperado, digo como foi.

ZaiJian

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Agradecimento todo especial

Essa semana o Blog está batendo recordes de audiência.
São mais de setenta acessos por dia… e uma mãe que acessa o mesmo blog setenta vezes no mesmo dia merece um agradecimento especial.
Valeu mãe!!!!
Xièxie.

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Quer aprender chinês? Então senta!

Agora repita comigo: Wo yao mai yi bai bao.
Mais uma vez: Wo yao mai yi bai bao.
Agora mude um pouco a entonação de cada palavra, vamos lá: Wo yao mai yi bai bao.

Muito bem! Sabe que você acabou de dizer? Hummm…
Bom, dependendo da maneira como você falou, da entonação e da velocidade, pode ter dito coisas completamente diferentes, como “Eu quero comprar um leopardo branco”, “Eu quero vender cem castelos”, “Eu quero trigo ainda branco e fino”. Entendeu???? Nem Eu!!!

Agora imagine aprender isso com um professor que só se comunica de duas maneiras, em chinês e por mímicas.

Mas não ache que é tudo tão complicado assim… A gramática ajuda porque é bem mais simples que a nossa: Não existe conjugação verbal!!!!! Sabe o quê isso significa?
Eu fazer ontem, ele fazer agora, nós fazer amanhã… maravilha, né?
Chega de perder tempo decorando…. Eu fiz,ele fizera, Vós fizesteis (?!?), quando nós fizermos… chega!!!!

Mas pra compensar… ai, ai… tem cada coisa… Só que isso fica pra próxima lição. Agora tenho que ir

Zaijian

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No meio do caminho tinha uma coxinha…

Brasileiro comemorando aniversário em Beijing dá nisso, aparece até coxinha e brigadeiro… Mas no fim do caminho tinha uma garrafa de tequila… bem no fim do caminho…eu acho…

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Hoje não tô muito inspirado, então vou contar algumas coisas aleatoriamente, por tópicos:

-Futebol. Tenho jogado (não muito bem, é claro) duas vezes por semana. Às quartas aqui na faculdade (já sabem que sou brasileiro) e aos domingos com o pessoal da Embraco que mora aqui. Sempre tem um monte chinês nos jogos, o que facilita o brilho do meu futebol-arte.
-Cachaça. Por incrível que pareça, ainda está intacta a garrafa de Velho Barreiro Gold que eu trouxe do Brasil. E ainda não bebi aquela garrafa dos 52%. Acho que vai ser nesse findi.
-Feriado. Teremos um feriadão, de segunda à sexta, na próxima semana. Mas, pra compensar, os professores vão dar aula no sábado e domingo. Ainda tô pensando se eu vou… mas nem tô pensando muito, não… Na segunda feira embarco pra Mongólia, e só volto na sexta, uma semana sem posts…
-E a placa????? Ainda não sei o que significa aquela coisa… mas amanhã tem a resposta e mais um desafio…
Zaijian

Desperte o Buda em você…

Sabe aquele ônibus lotado que eu peguei semana passada?
Pois é, peguei de novo hoje, para ir no mesmo lugar. É óbvio que a viagem não foi nada confortável, mas eu economizei 25元, o equivalente a R$ 6,00. (!?!?!)

Isso não foi nada, o pior foi explicar pros sujeitos que eu só queria um cabo que liga a filmadora ao computador… um cabo, só um cabo… que desespero!!! Usei todas as palavras de chinês que eu sei, fiz as mímicas mais improváveis, me ajoelhei, ri, bati na mesa… e nada… eles riam, perguntavam se eu conhecia o Ronaldinho, se eu sabia escrever o meu nome em chinês, se a gente fala inglês no Brasil, se eu conheço o Jackie Chan…e nada de cabo… Peguei uma câmera na mão, mostrei o buraquinho onde vai o cabo, e nada… desenhei, e nada… comecei a achar que eles tavam de onda com a minha cara. Quarenta minutos depois, pra minha sorte, aparece um cliente, um moleque chinês que sabia falar um pouco de inglês, mas bem pouquinho. Aí foi rápido, em 10 minutos ele entendeu o que era e conseguiu explicar.

Até então eu estava de bom humor, apesar de tudo. Mas fui tentar comprar um protetor para o teclado do meu notebook. Nem tentei explicar nada pra ninguém. Comecei a caminhar no meio das lojinhas, de andar em andar, olhando as vitrines. Onde eu via algo parecido com o que eu queria, apontava, pedia em preto e dizia qual computador era. O sujeito dizia que tinha, aí me fazia esperar, porque ele ia buscar no estoque. Aí voltava com um monte de caixas, várias coisas diferentes, mas nada como o que eu tinha pedido. E assim foi em três ou quatro lojinhas.

Comecei a ficar irritado. “Porra tchê!!! Tu tens esta merda, ou não tem?!?!?!”. Falava uns palavrões em português, virava as costas e saía no meio do corredor falando sozinho… achava outra lojinha… a mesma coisa… Fui em outro prédio… rodei, rodei… aí vi um mostruário no meio do corredor, com o tal protetor, exatamente como eu queria. Abri aquele sorriso. Veio um cara me atender, eu disse que queria um daquele e ele me fez subir 5 lances de escada pra ir na loja… ai, ai…Cheguei lá e não tinha… ai, meu santo…. comecei a discutir com o cara, que falava um pouco de inglês… cacete, tinha o negócio em exposição… Era aquele que eu queria… E o chinês, rindo na minha cara, dizendo que não tinha, mas que tinha acabado de receber um novo scanner, de última geração…. desisti… Vou voltar lá outro dia, com um pouco mais de paciência…

A Grande Muralha da China

A universidade organizou um passeio para a Muralha da China e fui na onda. O ônibus saía às 8h e eu só acordei às 7h38 porque um japa, amigo meu, ligou pra perguntar onde eu estava. Só então me dei conta que o despertador está programado para funcionar apenas de segunda à sexta. A viagem de ônibus foi rápida, menos de duas horas, e eu fui dormindo, é claro.

Chegamos no estacionamento, aquele mundo de gente e automóveis, olhei praquelas montanhas e pensei “caralho, não vou subir isso nem à pau”. Paguei dez reais e fui até lá em cima de bondinho, com mais três amigos. Passeamos um pouco e esperamos, naquele calor, o pessoal que estava subindo a pé. Esperamos. Esperamos. Esperamos… E eles chegaram, uma hora depois, um mais cansado que o outro.
A Muralha é enorme, não tem como - e nem por quê - visitar tudo no mesmo dia. Algumas partes têm uma inclinação absurda, com degraus completamente irregulares, que acabam com qualquer panturrilha, e um fedor insuportável de mijo nos corredores internos.

Sabe quando a gente quer andar de ônibus aqui em Beijing e precisa arranjar espaço na cotovelada? Na muralha também é assim, chineses e estrangeiros disputando à tapa os melhores lugares pra foto, as pequenas sombras pra sentar, quem está atrás empurrando quem está na frente, e assim vai. Imagina, só da minha universidade foram dez ônibus quase lotados. Mas mesmo assim o passeio vale à pena, é um programa obrigatório pra qualquer turista. E pra descer, acha que eu fui caminhando? Nem pensar. Desci de carrinho, tipo uma montanha russa (chinesa) em marcha lenta, meio sem graça.

Acabei de chegar em casa e vou dormir, descansar um pouco porque à noite tem festa.
Abs.

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Pelé é 10, Romário é 11 e essa menina é 1000.

Você acha que sabe dançar? Então dá uma olhada no que essa menina faz ao som de “My Hump”, do Black Eyed Peas. Essa chinesinha faz o maior sucesso por aqui e deve ter, no máximo, uns oito anos. Tenho alguns amigos que sempre tentam dançar desse jeito, mas não vou citar nomer, pra não comprometer… Eu já estou ensaiando alguns passos dessa música e pretendo me apresentar na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

PS: Isso é um video do Youtube…

Adorei! Agora, se a minha sobrinha dançar assim aos oito anos eu encho de porrada, hehehe.
E o garoto que vem depois não é tão ruim, não.
Zaijian.

Pra turista ver e comprar

Quem quer comprar lembranças da China deve dar uma passada por Wanfujing, uma rua que fica perto da Praça da Paz Celestial (Tian’anmen). É o lugar ideal pra gastar dinheiro com aquelas porcarias que só ocupam espaço em casa, ou que não duram mais que um mês. Se você souber barganhar consegue pagar muito barato. E, se souber falar chinês, então, consegue até arrancar um sorriso da cara dos vendedores. É também nessa região que se vem pra comer aqueles famosos espetinhos de escorpião, lagartas e outras coisas estranhas. Eu já vi, mas ainda não provei. Em breve, em breve.

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A hora de comer, no bom sentido…

Essa semana tomei uma decisão muito importante para a minha vida: só vou embora de Beijing quando eu puder sentar tranquilamente num restaurante chinês e pedir a minha comida, sem passar trabalho e sem comer o que não quero.

Sabe como eu faço pra comer hoje em dia?
Só vou em restaurantes que têm cardápio com foto e mesmo assim não tem como saber o que vou comer. A foto pode paracer atraente, mas o prato vem carregado de pimenta - muita pimenta, pimenta em tudo, no arroz, na salada, na sopa, no macarrão, no pão – ou vem frio, ou cheio de gordura, ou simplesmente não vem. Às vezes você pede um prato e duas horas depois descobre que eles não tem esse prato, e que não vão oferecer outro no lugar; ou então você pede cinco pratos e eles esquecem de anotar um. Guardanapo? Tem que levar de casa, pra garantir. Bebida? Pode levar de casa, sem problema, mas sempre tem chá de graça pra quem quiser. Garfo e faca? Nem pensar.

Por isso que é bom ter amigos que falam chinês, eles podem almoçar com a gente e fazer os pedidos.
Mas quando estou sozinho e os cardápios não tem fotos? Barbada! Fico no balcão, espero sair um prato que me agrade e aponto “Yi ge”. Ou então dou uma olhada nas mesas à minha volta e aponto pros pratos. Fome não passo, pode ter certeza.

Essa semana fui comer o “Pato de Pequim”, um prato tradicional da cidade, com uns amigos, esses aí da foto. Ganha um par de Kuaizi (os tais palitinhos) quem acertar a nacionalidade desse pessoal. Uma dica: nenhum é chinês.

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Ah, tá vendo aquele monte de aquários lá atrás? Você escolhe o peixe (siri, camarão, lagosta, ou o que tiver ali) e eles cozinham pra você. Ainda não experimentei fazer isso.

Apertadinho e gostoso…

Andar de ônibus em Beijing é bem simples, cada linha tem paradas específicas, ou seja, não tem cordinha, o carro pára em todos os pontos da linha, quem conseguir subir, sobe; quem conseguir descer, desce.
Mas e como saber qual ônibus passa em cada ponto, e para onde ele vai?
Mais simples ainda, é só ler a placa que tem em cada ponto. Ali diz cada ônibus que passa, de onde vem e pra onde vai. Entendeu? E quem não sabe ler? Sei lá, descobre alguém que saiba… ou vai de taxi.

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Ontem, fui comprar uma camera aqui perto, num prédio que só vende eletrônicos, e acho que todos os chineses da cidade tiveram a mesma idéia. Pra conseguir entrar no ônibus tive que derrubar duas velhinhas, dar uma cotovelada num policial e pisar na cabeça de uma criança. E se não fossem os cabelos do sovaco de uma garota, eu não teria onde me segurar. O rapaz que estava atrás de mim ficou com o braço preso na porta, mas nem reclamou, a sacola que viajou do lado de fora continuou intacta. Eu mal conseguia me mexer, pensei em soltar um pum pra abrir espaço (a comida chinesa é propícia pra isso) e, de novo, uns dez tiveram a mesma idéia que eu. Aí pensei em descer no ponto seguinte – ainda faltavam três até o prédio das muambas – mas eu sou brasileiro e não desisto nunca, continuei firme, segurando nos cabelos daquele sovaco.

A cada ponto era um empurra-empurra louco pra ver quem conseguia sair e quem conseguia entrar. Vicky, uma amiga vietnamita que estava junto, se segurou no sovaco errado e acabou descendo no quarto ponto, nem sei como voltou pra casa. Eu, com algumas cabeçadas e cotoveladas, consegui descer onde queria, ensopado de suor mas feliz por ter chegado onde queria. A mulher daquele sovaco desceu no mesmo ponto e ainda veio pedir o meu telefone…

Hoje é domingo…

Não tô com saco pra ficar escrevendo…
Essa foto aí é da festa de sexta, ou melhor, do pós-festa…

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E aí, vai encarar?

Banheiro aqui em Beijing é quase tudo assim, uns são mais limpinhos, outros mais sujinhos, mas o sistema é o mesmo. Pro chinês, ficar de cócoras é normal, é uma posição de conforto pra eles, mas pra gente é complicado, onde vou me segurar?
Essa semana uma colega foi usar o banheiro da universidade e deixou cair o celular lá dentro. Alguém acha que ela teve coragem de recuperá-lo?
Eu ia mandar uma foto de um banheiro mais sujinho, mas nem tive coragem de entrar…

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Ah, a comida ocidental…

Ontem fomos num restaurante “ocidental” aqui perto da universidade, o Big Pizza. É como um buffet livre, cada um paga 41 RMB, o equivalente a R$ 11,00, e come e bebe à vontade, petiscos, pizza, macarrão, salada, muffins, frutas, sorvetes, cerveja, refrigerante, etc. Quase precisei voltar rolando pra casa. Tinha um filé à milanesa… hum… o garçom garantiu que não era cachorro, mas não tenho essa certeza, tinha um gosto bom, diferente, um pouco adocicado.

Treze pessoas de dez países diferentes e que moram no mesmo prédio.
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Só depois de ter tirado algumas fotos é que vi uma placa informando que isso era proibido. O que eu fiz? Fotografei a placa, é claro.
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Ainda fomos para o Bla Bla Bar, um bar que fica dentro da universidade e funciona diariamente até as 2h. É claro que fui embora antes disso, tinha aula às 8h30.

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As aulas… ah, as aulas…. a cada palavra em chinês que aprendo, esqueço duas do inglês e uma do português. Em um ano, provavelmente vou precisar de tradutor no Brasil. Mas enquanto eu não esquecer como se faz mímica, posso me virar aqui pela China.

Zaijian.

Meus melhores amigos

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Esses são meus melhores amigos aqui em Beijing: a mapa e a garrafa d’água.
O mapa, claro, é pra não me perder muito por aqui, conhecer os caminhos da cidade e, acima de tudo, mostrar pros taxistas onde eu quero ir. A maioria dos motoristas me entende quando quero voltar pra casa, nem preciso mais mostrar no mapa. Mas para ir a outro lugar qualquer, o mapa é indispensável. E mesmo assim um taxista me expulsou do carro essa semana, nem quis olhar pra onde eu apontava no mapa. É assim mesmo, se o taxista não vai com a sua cara, não adianta reclamar, implorar, mostrar dinheiro, ele manda descer e fica falando um monte de coisas – provavelmente palavrões.

Assim como todo mundo anda por Nova Iorque com um copo de café na mão, aqui em Beijing quase todos andam com uma garrafinha, seja de água mineral, água da torneira ou chá feito em casa. Isso porque o clima é muito seco, pior que Brasília, e é preciso estar sempre tomando alguma coisa. Faz muito calor durante o dia e o chinês simplesmente não toma água gelada, só quente, que é pro organismo absorver melhor: “Faz bem pro corpo”, dizem.

Que porra é essa?!?!?!?!?!

Toda semana vou postar uma foto como essa, para que vocês tentem adivinhar o que é…
Essa placa é bem comum aqui, fácil de encontrar, difícil de entender.
Que porra é essa?!
Alguém consegue adivinhar o que significa?

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Tão de sacanagem comigo…

Tivemos apenas cinco aulas e já estou querendo bater com a cabeça na parede. Falar mandarim nem é tão difícil, mas ler e escrever é humanamente impossível, principalmente na velocidade em que querem que a gente aprenda. Temos quatro horas de aula toda manhã e ainda preciso estudar mais duas, três, ou até quatro horas por dia em casa pra não ficar perdido. A minha letra já é feia pra escrever em português, imagina em chinês…

São dois professores, um senhor que só fala chinês, mas que tem uma didática muito boa e se faz entender; e uma moça novinha, CDF, que não deve ter muita experiência em sala de aula, mas que fala um pouco de ingles. A turma parece reunião da ONU, tem gente de Portugal, Costa Rica, Kazaquistão, Thailândia, Vietnam, Namíbia, Japão, Vanuatu (sei lá onde fica esse lugar), Ilhas Maurício (?!?!), Canadá, Algéria e Brasil.

A universidade não é das maiores, mas é uma das principais em ensino de chinês para estrengeiros – Beijing Language and Culture University (Bei jing yu yuen da xue). Moro dentro do campus, no prédio 06, perto das quadras esportivas, num quarto individual. Por sorte, o único banheiro que precisei usar até hoje foi o meu, porque tem uns aqui que eu nem sei como funciona. Supostamente a gente ficar de cócoras, mas não tem onde se segurar… Bom, dentro do campus há uma série de restaurantes baratos, com comidas orientais e ocidentais. O barato que eu digo é 10RMB, cerca de R$ 2,80, pra comer bem.
E o meu prédio é o mais social porque a gente fica sentado na escada (quando não tem homework) conversando com a galera, aprendendo um pouco de chinês, e um pouco de outras coisas também.

Essas fotos aí são todas da universidade.
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O Sete de setembro em Beijing

Tá pensando o quê? Aqui em Beijing também comemoramos o 07 de setembro.
Sábado teve festa brasileira, organizada por um brasileiro (Leo Anjos), num bar chamado Salsa. Teve show de samba (um casal dançando fantasiado, uma música), concurso de rebolado (vencido por uma espanhola) e uma banda que tocou salsa e mambo a noite inteira. Mas tinha DJ, que tocava de tudo nos intervalos, inclusive músicas brasileiras (um axé e quatro funks). O melhor de tudo era o caneco de chope, tão pesado que precisei segurar com as duas mãos.

E ontem à noite tivemos churrasco na Embaixada. Ambiente (quase) descontraído, deliciosa picanha, assada e servida por chineses, cerveja brasileira, caipirinha e música ao vivo (com canções brasileiras, finamente)…Excelente oportunidade pra conhecer os conterrâneos que moram aqui. Mas acabou cedo, fomos os últimos a sair, por volta de 23h.

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Felipe, Ivan, Cassia, Fabiana, eu, Natasha, Lauren.

Atualizando as notícias da China

-Ainda não abri a garrafinha dos 52%. Faltou coragem.
-Abri a lata coma a foto do gato, era comida pra gato, mas não joguei fora, tô usando como patê. Não consegui descobrir alguma coisa que se use pra passar no pão.
-Ainda não joguei futebol aqui na universidade. Mas já descobri uns brasileiros que jogam todo sábado num parque aqui perto (nem tão perto assim).
-Já tomei dois porres, um de uísque e tequila e outro de cerveja e tequila. É muito barato ser alcoólatra aqui (mas eu não sou, ainda).
-Já comprei computador e tenho internet no quarto. Não é tão rápida quanto no Brasil e ainda tá sempre caindo.
-As aulas começaram, é foda.
-Ainda não comi ninguém. Aliás, nem sei porque eu troxe 14 caixas de camisinha.

Essa foi a minha primeira refeição chinesa. E essas foram as primeiras chinesas que conheci aqui, Linda e Suzanne (óbvio que não lembro o nome chinês delas)
Jantar com as chinesas

Notícias da China

Esse foi o primeiro e-mail que mandei para o Brasil, dois dias depois da chegada.

“Olá, tô na área…

Vinte e poucas horas de vôo e cheguei são e salvo em Pequim, doravante denominada Beijing. Já estou instalado na universidade, num quarto bem ocidental, tem até banheiro, daqueles pra usar sentado.A cidade é espetacular. Passei trabalho no início porque quase ninguém fala inglês por aqui, que sufoco. Mas já no primeiro dia fui recebido pelo pessoal da Globo daqui, Bassan, Joana e Wanderley, o que me deixou mais à vontade.

Já consegui até fazer compras, meio na intuição. Dou uma olhada na embalagem e procuro algum desenho, ou foto, que possa identificar o que é. Na dúvida, compro pra descobrir. A cerveja é muito barata, menos de 1 real a lata. Aliás, tudo é muito barato, especialmente a comida. Ontem sai pra jantar com duas chinesas que estudam aqui, comemos pra cacete, até sobrou comida na mesa. E o preço? 25 RMB por pessoa, cerca de 7 reais. Sem contar que a comida é deliciosa.

É praticamente impossível usar cartão de crédito aqui. Nem no banco eles sabem como funciona. E como a nota mais alta deles é de 100RMB (R$ 27), temos que andar com os bolsos (literalmente) cheios de dinheiro. Semana que vem vou comprar um notebook e vou ter internet no quarto, o que vai facilitar muito o contato com o Brasil.

Na frente do meu prédio tem um campo de futebol oficial, em grama sintetica, retinho, retinho. Todo dia, no final da tarde, rola jogo. Pretendo jogar qualquer hora, mas vou dizer que sou da Nicarágua, pra nao criar expectativa. Ah, quando fui no mercado ontem, comprei uma garrafinha que estava perto das cervejas. Não descobri ainda o que é, mas me interessei pela unica coisa que entendi do rotulo: 52%. Deve ser bom. Comprei tambem uma lata que tem a foto de um gatinho, tão fofinho, apenas por curiosidade… Hoje pretendo descobrir se é comida pra gato, ou se é carne de gato.”

Essa foi a minha primeira compra. Ali na frente, a garrafinha verde…
Primeira compra

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