O Natal em Beijing

É até meio estranho falar de natal quando se está na China, mas o fato é que o Papai Noel é mais famoso por aqui do que a gente imagina. Pelo menos em Beijing.

Quase todas as lojas, ou camelódromos, têm algum tipo de decoração natalina. A maioria dos chineses nem sabe o que significa o Natal, só sabe que tem um senhor gordinho que se veste de vermelho e distribui presentes. E quando esse velhinho aparece na rua, a festa é grande, pois muitos nunca tinham visto um pessoalmente. “Porquê o Papai Noel usa vermelho?” “O natal é comemorado só nos Estados Unidos?” “Porquê ele escolheu esse dia pra dar presentes?”… Bom, tentem explicar o que é o natal prum chinês… missão quase impossível…

Restaurantes que costumam receber estrangeiros também prepararam refeições especiais, mais caras, com temas natalinos, e os garçons usam um gorrinho vermelho. Mas sabe o que é mais estranho? Em muitos desses restaurantes, a maioria das mesas estava ocupada por casais de namorados chineses. E pelas ruas podíamos ver outros casais andando de mãos dadas, carregando presentes, flores e balões coloridos.

O mais interessante de tudo é que flagramos o Bom Velhinho em várias ocasiões aqui em Beijing. Há quem diga que ele já é quase um popstar por essas bandas orientais.

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Recados lidos

Pessoal, muito obrigado por todos os recados que vocês deixam aqui. É bom saber que a audiência também participa. Leio diariamente tudo o que vocês escrevem, aqui, ou por email.Feliz 2008. 

Esquiando em Beijing, sem neve…

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Semana passada fomos esquiar numa montanha aqui perto de Beijing, YuYang International Resort. Eu, que nunca tinha visto neve na vida, iria esquiar pela primeira vez.

Só quando chegamos na montanha descobri que a neve era artificial… Mas tudo bem… Coloquei a roupa, ajeitei os esquis nos ombros e fui pra pista. Olhei para os lados, procurando por alguém que pudesse me ensinar a colocar aquele negócio nos pés… nada… Fiquei alguns minutos apenas observando, tentando aprender alguma coisa.

Depois de um tempo, criei coragem e fui pro gelo. Levei alguns tombos logo no início, mas aprendi a me equilibrar e fui descer a primeira pista, para iniciantes. Tranquilo, sem grandes acidentes, apenas um leve contratempo. Numa das descidas, tentei fazer uma curva, que é pra diminuir a velocidade, e acabei virando completamente. Passei a descer de costas e não conseguia desvirar. Olhava pra baixo a todo instante, preocupado em não atropelar ninguém, tentando pensar numa maneira de parar… e nada… continuava descendo de costas… Aí tive a brilhante idéia de cravar os dedos no gelo. Que vergonha! Mas pelo menos parei.

Desci mais algumas vezes e fui pra pista principal, mais radical. Olhei praquele pessoal descendo, a maioria com ótimo desempenho… A sensação foi a mesma de quando pisei em Beijing pela primeira vez: “O quê que eu tô fazendo aqui?!?!?!”.

É uma pena que ninguém estava filmando. Segundo testemunhas, foi o tombo que mais levantou gelo… Até que a descida estava tranquila, mas tentei dar uma freada, pra diminuir a velocidade…deu no que deu, caí de peito e nem vi o que aconteceu depois… Tirei os esquis e fui pro bar, comer batata frita, em segurança.

Dá uma conferida nesse vídeo aí embaixo, mais uma superprodução da AmanTV.

Feliz Natal pra todos. Amanhã, se estiver sóbrio, escrevo de novo.

Aula de chinês

Bom, tô meio sem assunto hoje, então vou falar de aula de chinês.

Na verdade não vou falar nada, só mostrar dois videos que fiz nas aulas que frequento aqui em Beijing.

No primeiro a gente vê um trecho de uma aula do Yao Laoshi

No segundo, a Wang Laoshi tenta ensinar a gente a cantar em chinês. Eu, é obvio, nem tentei. Ora, não sei cantar nem português…

Feliz natal!

Que porra é essa?!?!?!

A seção “Que porra é essa?!?!” está de volta, graças à insistência do amigo Rodrigo Araujo.

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Essa é mais uma das tantas placas estranhas que colorem a cidade.

Qual a sua dica???

再见 

Táxi na China. Esse assunto vai longe…

Aproveitando o assunto, vou falar um pouco mais sobre táxis em Beijing.

Andar de táxi por aqui é muito barato (muito mesmo!). A corrida inicia em ¥10, demora pra começar a aumentar, e aumenta bem devagar. Ou seja, a gente atravessa a cidade com, no máximo, ¥60 (cerca de R$ 15,00). E olha que a cidade não é pequena, mesmo sem trânsito dá pra tirar uma soneca. Pro aeroporto, que é um pouco mais longe, a gente gasta cerca de ¥100 (faça as contas!).

Mas, pra pagar esse preço, você tem que concordar com as condições implícitas nesse tipo de serviço. No momento em que você entra no carro, você autoriza o motorista a ir aonde ele quiser. Ou ele não sabe o endereço, ou se faz de louco, erra de propósito e diz que não entendeu. Às vezes, mesmo apontando no mapa, o sujeito diz que não entende.

Ao entrar no carro você também autoriza o motorista a emitir os mais diversos ruídos e a exalar os mais inimagináveis odores. Pra começar, todo táxi tem cheiro de comida, alho e pimenta. Mas você ainda pode ser brindado com um sonoro arroto, uma catarrada multimídia ou um axfixiante peido. Preste muita atenção: é inverno, todos carros tem aquecimento, as janelas estão fechadas. De repente, o motorista aumenta o som e abre uma fresta na janela… se prepare, aí vem coisa. Ou melhor, aí vem peido.

E tem mais, o motorista tem o direito de nem levá-lo a lugar algum, de mandar você descer e ainda ofendê-lo. Alguns até perguntam onde você quer ir, outros nem perguntam, mandam descer direto, mesmo que você fale chinês. Ou, pior, nem páram se você é estrangeiro.

Ele tem o direito de escolher a rádio que você vai ouvir. Você pede pra colocar na Babaqi (88.7), que é a rádio que toca música internacional, e ele aumenta o volume da rádio-novela.

Mas nem tudo é ruim. Às vezes a gente pega um motorista gente boa, que vai conversando, ensinando alguma coisa de chinês, rindo do nosso sotaque e perguntando coisas do inglês. Aliás, poucos falam inglês, a maioria sabe que precisa aprender e alguns até estudam.

Quer uma dica? Até conhecer a cidade, saber os caminhos que o táxi deve percorrer, sente no banco da frente com o mapa aberto e vá acompanhando o trajeto. Assim você não se deixa ser enganado.

PS: É comum chamar o taxista de “shifu”, que significa “mestre”.
PS2: Não se dá gorjeta. Alguns aceitam, mas alguns acham que é falta de respeito.

Bem-vindo à Beijing, China.

Ah, o táxi na China…

Guomao, região central de Beijing, oito horas da noite de um dia qualquer, há três semanas. Estávamos, eu e uma amiga, esperando um taxi na frente de um prédio. Não havia mais ninguém por perto, o próximo carro seria nosso.

Lá longe eu avistei um taxi se aproximando, desci da calçada e fiz sinal. Ele parou uns cinco metros mais à frente, esfreguei as mãos, sorri e fui na direção dele. Não é nada agradável ficar na rua numa temperatura dessas, principalmente quando está ventando. De repente… rápida como um raio, repentina como um trovão… aparece uma chinesinha do nada, correndo… ela abre a porta e senta no banco de trás.

Humm… eu tava tranquilo, não queria confusão, dei umas risadas e me virei pra procurar outro carro livre. A minha amiga, uma italiana esquentadinha, partiu pra cima da chinesinha, em inglês: “esse taxi é nosso, a gente chegou primeiro!!!”. Eu, de longe, só dizia (em português) “deixa pra lá, não vamos brigar por causa de taxi!”.

Mas ela continuou, arrisacando um chinês com sotaque latino, e a chinesa, meio constrangida, saiu do carro, “ok, ok”. A italiana entrou e eu, ainda rindo, já estava pronto pra entrar. O taxista, que tinha cara de poucos amigos, disse, num chinês não muito claro, acompanhado de mímica, “Desce! Desce! Não levo estrengeiros! Desce!”. Aí sim, não contive as gargalhadas. Recuei, dei espaço pra moça entrar, mas a vontade era de meter o pé na porta do carro. A italiana ainda tentou argumentar, mas não teve jeito.

Na mesma hora encostaram outros dois táxis, fui para o próximo, fiz sinal com a mão e perguntei, num chinês claro e inconfundível, “ke yi, ma?” – que é o mesmo que dizer “pode ser ou tá difícil?”. O cara, todo apavorado, trancou as portas e fez sinal de negativo com as mãos. Foi nesse momento que eu descobri o prazer de falar palavrões em português… ah, que alívio… me senti muito mais leve depois de mandar o cara pra vários lugares…

Fomos até o outro táxi. Sem perguntar nada, abri a porta e entramos rapidinho. Depois de deixar a esquentadinha em casa (ela morava ali perto), pedi que o sujeito me levasse pra outro lugar: “Wudaokou, Chengfulu, Yuyan Daxue”. O trânsito nessa hora é infernal, parece São Paulo. Escorei a cabeça na janela e dormi.

Acordei uma hora e meia depois, ainda no carro, olhei para os lados e percebi que eu estava num lugar da cidade onde nunca havia estado antes. Tentei ler as placas, mas não encontrava nenhum nome de rua conhecido. “Mas bah, tchê! Não sei onde a gente está, não conheço esse lugar!”, disse, no meu chinês quase sem sotaque. “Tá tranquilo, chefia, logo ali já é a YuDian Daxue!”…

“Tchê! Eu disse YuYan Daxue, e não YuDian Daxue”. Ele olhou pra mim, como se não estivesse entendendo a situação, aí eu repeti o endereço, bem calminho: “Wudaokou (que é o nome do bairro), Chengfulu (que é o nome da avenida que corta o bairro), Yuyan Daxue (que é o nome da minha universidade)!” Eu digo isso pra todo táxi que eu pego em Beijing e nunca tive problemas. Mas aquele não era o meu dia! “Ah! Chengfulu!!!! Ok, Ok!!!!”…

Entrando em casa, vinte minutos depois, tive uma revelação divina, “Vou ter que começar a fazer Yoga ou Taijiquan!”.

Comidas estranhas na China… eu comi!!!

dsc01351.jpg Não sei o que dizer… Mas fui até Wanfujing, rua do centro de Beijing, e provei o que há de mais estranho na culinária oriental. Bom, ainda não provei baratas ou cachorros, mas estou quase lá.

 Essa feirinha funciona diariamente, à noite, e é só pra turistas mesmo. Hoje em dia quase ninguém come insetos por aqui. Pelo menos é o que ouvi falar…dsc01318.jpg 

Faltam 240 dias para os Jogos Olímpicos

Esses são os mascotes dos Jogos da XXIX olimpíada. No início me pareciam terríveis, mas acabei me acostumando e hoje até acho que são bonitinhos.

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Palácio de verão, mais uma vez…

Muitos devem estar se perguntando porque eu falo tanto do Palácio de Verão…

Mas é que esse é ponto turístico que fica mais perto da minha casa, quinze minutos de carro. E além do mais, o lugar é espetacular e merece ser visitado várias vezes.Domingo passado fui de novo, acompanhando umas amigas brasileiras que estão por aqui.

Esse passeio você pode conferir nesse novo video. É a AmanTV levando um pouco de Beijing para a sua casa.

 PS: Se alguém quiser criar um slogan melhor, agradeço. Aliás, o que você mais gostaria de ver aqui? Conto com a sua participação.

Zaijian. 

A neve em Beijing

Pra quem nunca viu neve antes, qualquer gelinho que cai do céu é motivo de alegria.

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Já faz algum tempo que a temperatura fica negativa, que os lagos começaram a congelar, mas neve que é bom, só agora. E olha que é uma neve bem fraquinha, que não deve durar mais que um dia.

Todo mundo acordou mais cedo hoje pra tirar fotos e jogar bolas de neve nos amigos. Pelo menos é uma diversão pra espantar o frio, e mais um motivo pra colocar no ar a AmanTV…

 

Que coisa mais linda… Chinesas de pés pequenos!

Já tinham me falado que, antigamente, as mulheres chinesas eram obrigadas a ter pés pequenos porque era sinal de elegância, beleza. Mas como fazer isso???? Ora, os pés ficavam dentro de uma forma, um sapato apertado, pra que não crescessem. Simples. Muito mais fácil arranjar casamento com um pé desses, né…

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Ora, o que tem de elegante  numa coisa horrososa dessas? Pelo bem das mulheres, isso quase não acontece mais… quase…

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Fico imaginando como seria a história da Cinderela chinesa, cem anos atrás. Que horror.

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Encontrei essas fotos numa comunidade do orkut. 

Amante na China, finalmente… ou infelizmente…

Depois de longas 36 horas de viagem, entre aeroportos e aviões, consegui chegar inteiro na China. Um pouco torto e cansado, mas inteiro. Passar uma semana no Brasil, visitar amigos e família, é bom demais. Nada como curtir uma praia, tomar água de côco, saborear bolinho de bacalhau com cerveja gelada, fazer compras sem ser agarrado pelo braço, ver o sol, comer um churrasco ou a feijoada da mamãe… ah… é muito bom… Agora, ver o corinthinas sendo rebaixado… ah, isso não tem preço.

Achei que teria problemas na alfândega de Beijing, por causa da bagagem, mas passei tranquilamente. Trouxe mantimentos pra seis meses: erva-mate, café, chocolate, guaraná, desodorante… tudo que um gaúcho precisa pra viver longe dos pampas…

Sabe qual foi a primeira coisa que me veio na cabeça quando desci no aeroporto? O quê que eu tô fazendo aqui…. Se alguém souber a resposta, por favor me avise.