Faltam 73 dias e o Ninho está pronto

O Aberto da China de Atletismo, que acabou nesse domingo, foi a nossa última chance de conferir de perto as obras do Ninho de Pássaro, principal estádio constuído para os Jogos da XXIX Olimpíada. Durante quatro dias, milhares de pessoas puderam conhecer as instalações onde serão realizadas as cerimônias de abertura e encerramento.

Pelo que eu pude perceber, o Estádio Nacional está praticamente concluído. Poucos são os detalhes pendentes. Além de bonito e confortável, o Ninho parece ter todas as condições de receber eventos do mais alto nível. O único problema que constatei foi fora das pistas. Por conta da falta de preparo dos vendedores, filas enormes se formaram para a compra de bebidas e petiscos.

Mas nem isso tirou o ânimo dos chineses. Todos os presentes faziam questão de incentivar os atletas locais, principalmente os que representavam a província de Sichuan, aquela atingida pelo terremoto. Eu também me empolguei. A cada atleta de Sichuan anunciado me levantava e aplaudia, acompanhando os torcedores à minha volta.

Mas o que mais me impressionou foi a adoração que esse povo tem pelo Liu Xiang, ouro em Atenas nos 110 metros com barreiras. Foi só anunciarem o nome dele na prova seguinte que a torcida foi ao delírio. Um corre-corre danado. Todos querendo chegar perto da largada. Com megafones em punho, voluntários tentavam, em vão, impedir que as pessoas trocassem de lugar. Ninguém quis saber de cadeira numerada. A multidão aplaudia toda vez que ele dava um sorriso ou olhava para as arquibancadas.

Bom, ele é um dos heróis locais e grande esperança de medalha para a China. Venceu mais uma e se mostrou preparado.

Quer saber mais sobre o Ninho?

Volta amanhã que tem mais na AmanTV.

2008, o ano da China?!?!

“Esse é o ano da China”. Quando janeiro chegou, essa era a frase mais ouvida por aqui. E quem se arriscaria a dizer o contrário? O país vem se destacando cada vez mais no cenário econômico internacional e ainda se prepara pra receber os maiores Jogos Olímpicos da história. 2008 tinha – e ainda tem – tudo pra ser o ano da China.

É… mas, por enquanto, não é bem por esses motivos que a China tem recebido destaque na mídia. Primeiro foi a nevasca que arrasou com metade do país em feveireiro. Depois aquela confusão toda no Tibete e o acidente com dois trens perto de Qindao. E agora esse terremoto.

Esse tem sido um ano conturbado por aqui, pelo menos nesses cinco meses que passaram. Há 76 dias para a abertura oficial dos Jogos da XXIX olimpíada, Pequim está quase pronta pra receber atletas e visitantes. A cidade está recebendo um tratamento de “embelezamento” bem caprichado. Ruas, calçadas e árvores estão sendo retocadas ou reconstruídas. Só nos resta esperar pra saber o que vem pela frente.

O dia em que a China parou

Às 14h28 desta segunda-feira (03h28 no Brasil) a China parou para prestar respeito aos que morreram no terremoto da semana passada. Por determinação do governo, chineses e estrangeiros interromperam suas atividades para ficar em silêncio durante três minutos. Motoristas pararam os carros no meio da rua, assim como trens, ônibus e navios também pararam. Só o que se ouviu nesse intervalo foi o soar de sirenes e buzinas, outra determinação do governo.

Vestidos de preto, estudantes e trabalhadores se reuniram em cerimônias públicas. Voltados para a bandeira em meio-mastro, prestaram homenagem às vítimas e oraram pelas famílias destruídas.

Na cerimônia em que participei, na universidade onde estudo chinês, vi muitas pessoas chorando. Estudantes e professores, organizados em filas, levantavam faixas e cartazes. Uma estudante passou mal e precisou de atendimento médico. Dava pra perceber a emoção estampada no rosto de cada um.

É difícil explicar o que a gente sente num momento desses, e mais difícil ainda é tentar escrever. Estou em Pequim, tão perto e ao mesmo tempo tão longe da região atingida pelo terremoto. Há uma semana esse é o assunto principal em qualquer conversa, nas ruas, na TV e nas rádios. A população ficou realmente abatida com a tragédia. Ainda vai demorar para que país se recupere, assim como deve demorar para que se descubra o número total de vítimas fatais.

Postos para arrecadação de doações continuam espalhados pela cidade e a China permanece de luto oficial até quarta-feira.

E esse video aqui mostra o exato momento do terremoto em Chengdu, capturado por um estudante chinês. Vale a pena dar uma olhada.

Como a China encara o terremoto

Desde segunda-feira o terremoto passou a ser o principal assunto nas rodas de conversa da China. É impossível ficar indiferente a tudo que aconteceu e que está acontecendo.

Por onde a gente passa vê os aparelhos de TV mostrando imagens das cidades atingidas, das operações de busca, dos desabrigados, dos helicópteros jogando mantimentos para a população, das máquinas desobstruindo estradas…

As manifestações de solidariedade estão em todo lugar. Empresas e escolas montam postos para receber doações. As pessoas fazem fila para depositar dinheiro nas caixinhas espalhadas pela cidade. Estudantes chineses se reúnem em frente aos alojamentos à noite, acendem velas e entoam canções em respeito aos atingidos. Canais de TV fazem programas de auditório onde os grandes empresários aparecem para mostrar os generosos cheques, doações de milhares - e até milhões – de Renminbi (a moeda chinesa).

A maioria dos jornais aumentou a circulação para atender à procura por informações. A todo instante as autoridades aparecem na TV para acalmar a população “Não há perigo de um novo terremoto nos próximos dias. Não precisamos entrar em pânico”.

De todos os casos que têm aparecido, um dos que mais emociona é o de um homem que perdeu toda a família (pais, mulher e filhos) e continuava ajudando nas buscas, carregando destroços.

E mesmo com toda essa comoção, já ouvi chineses dizendo que esse terremoto não é um problema, que o governo tem dinheiro pra reconstruir as cidades e os mortos não fazem falta, “A China tem gente demais”.

O terremoto na China

Em algum momento, entre 14h e 15h desta segunda-feira, enquanto eu almoçava e jogava canastra, um terremoto atingiu a China.

Eu não senti absolutamente nada, assim como as pessoas que estavam à minha volta aqui em Wudaokou, região Noroeste de Pequim. As informações começaram a chegar aos poucos. Pessoas que estavam em prédios altos puderam sentir o tremor. Outras sentiram apenas enjôos e uma “pressão no ouvido”. Metrôs pararam. Prédios foram esvaziados.

Logo depois chega a informação de que o epicentro foi na província de Sichuan, no sudoeste da China, há cerca de 1500 km daqui. Algo entre 6,0 e 7,0 graus na escala Richter. Casas e prédios desabaram, centenas de mortes. Mais tarde, pela internet, descobrimos que foi um terremoto de 7,8 graus, que uma escola desabou, soterrando quase mil estudantes. Milhares estavam desabrigados e o número de mortos aumentava a cada nova informação. Mas isso é China, nunca sabemos se os números são confiáveis, se as informação são corretas…

Pouco depois das 20h chega a previsão de um novo terremoto. Entre 22h e 24h a terra voltaria a tremer. Mas como? Onde? Com quê intensidade? Não sabíamos. A minha única preocupação era mandar um recado pra minha mãe, dizendo que eu estava vivo.

Mas como a gente se prepara para um terremoto? Bom, liguei minha câmera e fiquei esperando… esperando… esperando… e nada! Meu primeiro terremoto e eu não vi nada, não senti nada.

Aquele país com a letra “T”

Esses recentes acontecimentos no Tibete foram, e ainda são, muito discutidos nas ruas de Pequim. É como uma luta China x resto do mundo. Estrangeiros querem liberdade para o Tibete e chineses querem punição pra quem quer essa liberdade. Não encontrei um só chinês que esteja contra o “governo comunista”. Eles devem existir, é claro, mas ficam na moita. Não são bobos.

Na sexta fui jantar com amigos, muito sushi e cerveja. Falamos de tudo, computadores, mulheres, esportes, repressão….. e sobre o país com a letra “T”. Não vou citar nomes que é pra preservar a integridade física e moral deste distinto colega, mas um dos presentes se recusava a falar o nome do país. Algum chinês podia entender e querer tirar satisfação. Nunca vi isso acontecer, mas sabe como é… vai que acontece, né… aqui é a Chin… quer dizer… é o país com a letra “C”.

Cadê minha bicicleta?

Você só pode se considerar morador de Pequim depois que tiver a sua bicicleta roubada. - ditado popular.

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Desci as escadas pulando os degraus de dois em dois (moro no sexto andar, sem elevador). Culpa do despertador chinês, que atrasa cinco minutos por dia mas hoje resolveu atrasar quinze. Agora era montar na bicicleta e sair pedalando.

Abri a porta, olhei pra frente e parei. “Ué, cadê minha bike?”. Olhei para os lados, na esperança de tê-la deixado noutro lugar. Mas não, não tinha como. Era ali mesmo que ela tinha ficado na noite anterior. De braços abertos, murmurando palavrões em português, dei alguns passos. “Eu sabia que devia ter consertado o cadeado”.

É… no dia anterior o cadeado havia estragado, não tinha como prender a bicicleta. Deixei-a solta mesmo. A corrente, inútil no momento, ficou no cestinho (é, bicicleta chinesa tem cestinho na frente) e eu fui dormir. “Quem vai querer roubar uma coisa velha dessas?!?!”

Dei mais alguns passos e… e… hum… não acreditei no que vi. No lugar da bicicleta havia um bilhete, um pedaço de papel no chão com duas pedras em cima. “Caramba, ladrão chinês deixa recado!!!”. Dei umas gargalhadas e peguei o papel.

O bilhete estava escrito em chinês, é claro, e não era de ladrão. Os seguranças do condomínio, ao perceberem que estava sem cadeado, levaram a bicicleta para o depósito deles “para evitar que fosse roubada”. Caramba!!! No dia seguinte peguei a magrela de volta. Mas… e se o papel tivesse voado com o vento?

Bom, ainda não posso me considerar um morandor de Pequim.

Macau e Hong Kong, um ponto de vista…

Macau, oficialmente “Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”, é um pedaço da China que foi ocupado por Portugal em 1557. Isso dá pra perceber logo de cara, pela arquitetura e pelas placas de rua. Tudo é escrito em Chinês Tradicional e Português, línguas oficiais.

Em 1999 Macau voltou a ser território Chinês, mas tendo a sua autonomia preservada por, pelo menos 50 anos. Ou seja, vai continuar do jeito que está até 2049. A moeda é a Pataca, que vale quase a mesma coisa que o Renminbi e o Hong Kong Dólar e já é o centro mundial de “jogos de fortuna e azar”. Deixou Las Vegas (EUA) pra trás no valor bruto de apostas e possui o maior cassino do mundo, o Venetian, esse aí da foto, onde eu perdi doze reais.

Dezenas de outros cassinos estão em construção, o que deixa a região com a cara da China: um eterno canteiro de obras.

Mas não é só isso, Macau ainda tem belas praias, o maior Bungee Jump do mundo, com 233 metros, alguns templos e um aeroporto bem pequeno. Ah, e como se não bastasse a mistura, as ruas ainda são de mão inglesa.

Pra ir a Zuhai, cidade chinesa que faz fronteira com Macau, é só passar pela alfândega (se tiver visto) e entrar direto no centro de compras subterrâneo. Um lugar imenso, que deve ser o maior camelódromo do mundo, paraíso de compras para chineses e estrangeiros.

Hong kong (Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China) foi colônia inglesa de 1898 a 1987 e hoje está na mesma situação que Macau. Pra ir até lá é só pegar um barco que demora cerca de 1hora e meia. Um dos principais pontos turísticos da cidade é o “Victoria Peak”, um morro de onde vê toda a região. Sinceramente, não achei nada de mais.

Mas programa de turista mesmo é sentar no pier que fica em Tsim Sha Tsui pra assistir ao show de luzes que é preparado todas as noites na Ilha de Hong Kong.

Amante Entrevista

Acompanhe aqui a estréia de mais uma superprodução da AmanTV.

O Amante Entrevista é um programa que nasce com a pretensão de ser semanal, sempre trazendo um novo entrevistado e muita informação.

O convidado do programa de estréia deveria ser especial. Não poderia ser qualquer um… pensei…pensei… pensei… Deu muito trabalho, mas valeu a pena. Confira!

Bom, se vai ser mesmo semanal eu não sei… Depende da aceitação do público.

zaijian

De novo em Beijing - Lar, doce lar…

Ja estou de novo em casa, contando os carimbos que recebi no passaporte na última semana. Fiquei em Macau, hospedado na casa da família Fellini, mas também fui a Hong Kong e Zuhai.

Macau, assim como Hong Kong, é da China… mas não é… Uma longa e complicada história… o dinheiro não é o mesmo, o passaporte não é o mesmo, mas a língua é quase a mesma.

Quem é de Macau não pode entrar na China, só se estiver em grupo e acompanhados de Guia Turístico. Vôo pa Macau e Hong Kong é vôo internacional, tem que passar pela imigração. Macauense é tratado como turista na China. E mesmo assim eles agitam bandeiras vermelhas e usam camisas “Eu amo a China”. Está além da minha compreensão. Mas isso é assunto para a historiadora Lauren Fraiz, que deve deixar um comentário explicativo em breve.

A Tocha passou por lá sem muitos incidentes. Pelo que sei, em Macau prenderam um jornalista e dois monges, defensores da causa tibetana. E o trajeto, que era pra ser de 37km, foi encurtado pra 20km por causa da confusão no trânsito.

Depois eu volto pra falar um pouco mais da viagem. Agora vou sair pra comemorar o título. 8×1 em cima do juventude… merece comemoração até na China, né….

A Tocha em Hong Kong

Ontem estive em Hong Kong e acompanhei a passagem da Tocha Olímpica por lá. Dava pra ver muitas pessoas com camisetas e cartazes “Eu amo a China”, “Eu apoio Pequim”, “Força China” (tudo em Chinês, é claro). 

Todos os aparelhos de TV estavam passando, ao vivo,  a passagem da tocha. As pessoas paravam na rua para assistir e comentar, apaludir seus ídolos, dar apoio… Ruas fechadas, policiamento, carros de bombeiro… e muitas, muitas bandeiras da China…

Depois mostro as fotos, quando conseguir passá-las pro computador.
Hoje a Tocha passa aqui em Macau.