A Bocha na Paraolimpíada

Um dos momentos mais marcantes dessa Paraolimpíada para mim, até agora, foi uma partida de bocha. Isso mesmo, Bocha! Ou Boccia, como o esporte é conhecido mundialmente.

Acostumado a jogar bocha desde pequeno nos “bolichos” do Rio Grande do Sul, já tinha ouvido falar da Boccia Paraolímpica, mas nunca assistido à uma partida. Quando me disseram que um brasileiro disputaria medalha de ouro e que eu deveria estar lá acompanhar a partida, pensei “deve ser um jogo chato, vou poder tirar um cochilo na tribuna de imprensa”. Engano meu! Confesso que fui traído pela minha ignorância.

Sentei junto com a delegação do Brasil e incomodei o técnico da equipe, Darlan França, para que me explicasse as regras. Fiquei impressionado com a precisão dos jogadores e emocionado com a vitória do brasileiro Dirceu Pinto na categoria BC4. Fiquei até nervoso durante a partida e vibrei muito a cada jogada. Quem também estava na torcida era o Eliseu Santos, parceiro de Dirceu na disputa de duplas e medalhista de bronze na mesma categoria.

É bonito e emocionante ver pessoas tão cheias de vida e com tanto amor ao esporte, capazes de superar as dificuldades impostas pela vida e brilhar em competições de alto nível. E mais emocinante ainda é cantar o hino nacional em solo chinês enquanto o medalhista, do alto do pódio, se derrama em lágrimas.

Virei fã do esporte e desde então tenho acompanhado todas as partidas do Brasil na competição. Ontem, depois de um jogo de duplas, a organização fez uma surpresa e homenageou Dirceu, que estava de aniversário. O ginásio inteiro cantou, em inglês, “Parabéns a você” e ele ainda ganhou flores e uma vaquinha de pelúcia, mascote da Paraolimpíada.

Na disputa de duplas, o Brasil já está nas semifinais.

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