Confira aqui como foi a festa de ano novo da Fernanda, minha prima que mora na China e conta como foi a comemoração por lá:
Ao invés de passar o Ano Novo chinês indo a festas com um bando de estrangeiros, fui para Changsha, na província de Hunan, comemorar com a família da chinesa que divide o apartamento comigo aqui em Beijing.
Ao meio-dia, o pai dela (policial) me buscou no hotel e fomos para a casa da sogra dele. Como pela tradição chinesa homem é mais importante que mulher, o almoço é na casa da avó materna e o jantar, mais importante, na casa dos avós paternos. Os filhos todos se reúnem com seus filhos, o que chega a somar 25 pessoas, em algumas famílias.

A casa era bem simples e, ainda assim, fui apresentada à uma mesa farta. Os costumes dizem que o número de pratos deve ser sempre par e quanto mais, melhor. Obrigatoriedade é ter pratos com um animal inteiro, que significa “totalidade” – ou seja, evitar as perdas no ano que chega. No meu caso, uma galinha da cabeça aos pés e um peixe, com olhos, capa e todo o resto, estavam bem na minha frente – porque eu era a convidada de honra. Ainda em Changsha é importante ter um arroz doce, para atrair coisas boas, e uma sopa. No almoço e na janta, havia mais de 14 pratos sobe a mesa e uma garrafa de Baijiu (vinho chinês) e, para a minha sorte, uma garrafa de vinho espanhol.

Tanto no almoço como na janta, tive que ficar respondendo perguntas sobre o Brasil, Ronaldinho, Pelé e Lula. Ainda tive que explicar, para a surpresa deles, que criança menina é tão bem-vinda quanto um menino a uma família, independente de preferências pessoais.
Durante as refeições, muitos, muitos brindes com votos de saúde e riqueza. E, como na cultura mandarim, o convidado ao brinde deve beber tanto quanto quem levanta o copo em convite, fiquei bem feliz que escapei do baijiu ilesa. Não sei o que ia dar a combinação da bebida com o pé da galinha.
Logo depois de comer, todo mundo deixa a mesa para jogar Mahjiong – uma mistura de dominó com pife -, beber mais Baijiu e comer mais coisas. Também escapei dessa por conta da minha inabilidade em matemática. Ainda bem porque, com a bebida toda, ia perder um dinheirão.

Valeu a pena. Depois da janta, nos reunimos em um dos milhares de bares que existem em Changsha para celebrar com os jovens. À meia noite em ponto os fogos começaram. Não ousaria comparar com o nosso Ano Novo, mas foi muito, muito bonito e durou a noite toda. Saímos do bar às 4 da manhã e ainda havia gente na rua estourando fogos. Aí tivemos que comprar um também, mas, por motivo de segurança, evitamos tirar as máquinas das bolsas depois das 2h da manhã. Se beber, não tire fotos…