Protesto em Pequim não deu em nada

O fuzuê foi grande pela internet, muita propaganda, muita gente bancando o protesto, mas ninguém protestou. Por causa do barulho causado pelas redes socias – que incluem o twitter, mesmo bloqueado -, o que se viu em Pequim na hora marcada foi um bando de curioso. Entre 200 e 300 curiosos e algumas dezenas de policiais (na presença de alguns jornalistas e muitos turistas estrangeiros) tomaram uma esquina de Wangfujing, no centro de Beijing, mas não se viu protesto algum. Pelo menos é isso que contam os amigos que foram até lá para conferir a “Revolução dos Jasmins” (茉莉花革命).

O que sei é que o governo chegou a bloquear a internet por diversas vezes durante o dia. As empresas de telefonia celular também bloquearam qualquer mensagem que contivesse “Revolução dos Jasmins” ou 茉莉花革命. Eu mesmo testei e as mensagens não foram enviadas. Graças ao twitter, também, descobri que há muito mais chineses usando VPN’s para desbloquear a internet do que eu imaginava.

Uma amiga chinesa me perguntou hoje, séria, se eu não era um espião estrangeiro. Ela disse que se fala muito isso entre os chineses, que correm as “informações garantidas” de que muitos dos estrangeiros que vivem na China são espiões. Fui obrigado a rir, mas ela não achou graça, disse que o assunto é sério, que esses espiões querem acabar com a China para que os EUA continuem mandando no mundo. Não consegui terminar a conversa e ela continua achando que sou um espião.

Ainda não sei como foram os outros protestos espalhados pela cidade, meu VPN parou de funcionar – misteriosamente – e continuo sem acesso ao Twitter, que foi onde consegui a maioria das informações.

Comentários (2)

 

  1. yeda says:

    espiao?hehehe,que boba…parece novela hein… Acho que o governo eh muito sensivel e reage demais…Pesquisei em Baidu e nao consegui ver 茉莉花革命, mas enfim entrei em twitter por um link e vi tudo…nao adianta bloquear, pois de qualquer forma a gente ve….

  2. Mariana says:

    Rolei de rir com essa história de espião… Acho sua amiga chinesa tem razão. Faz muito sentido!