“Orelha” do Livro, por Nilson Lage

Richard Amante é daqueles que te fazem provocações só para saber se acreditas mesmo no que estás dizendo ou só representas, como fazem tantos, na maior parte do tempo. Crítico? Cético? Um homem de plateia, não de palco.

Ao descobrir-se, radicalizou e foi ver bem de perto o espetáculo China. País de uma só escrita para muitas línguas faladas, na exata fronteira entre a antiguidade e o futuro, entre o terceiro mundo e o primeiro; aquele em que turistas mastigam, para se provar, o que os chineses comeram para não morrer de fome: escorpiões, lesmas, baratas – fritos, para eliminar as bactérias.

Povo-formigueiro que inventou a pólvora, o papel e a bússola, mas não incorporou à sua cultura o vaso sanitário patenteado na Inglaterra por Alexander Cummings, em 1775, com descarga, sifão e garantia de que mau cheiro não dura. Culpa, talvez dos ingleses que invadiram o país duas vezes no Século XIX para obrigar a elite chinesa a fumar ópio, mas não ousaram lhe impor a louça-maravilha dos WC. É estranho, porque ganhariam dinheiro e, como se sabe, esse não fede. China que fuzila funcionários corruptos (ainda assim, sempre aparecem novos), e, com trilhões de dólares em caixa, segura as cordinhas com que se amarram feras.

Quanto ao livro, caro amigo, vás adorar ler.

Nilson Lage, jornalista e um grande mestre.

Lançamento do livro no dia 9 de agosto, na Livraria da Travessa, em Ipanema, Rio de Janeiro/RJ.

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