Viagem ao inferno, quer dizer, à Mongólia Interior

“…Acordei às sete, o teto girava e a cabeça doía muito. Aos poucos fui me lembrando dos acontecimentos da noite anterior. Eu estava acabado, mal podia caminhar. Saí da tenda, abri os olhos devagarinho e olhei para o horizonte… nada. Olhei para o lado… nada. Olhei para o outro lado… nada. Só deserto e montanhas. Olhei pra baixo, estava pisando em bosta de cavalo, bem fresquinha. “Ai, ai … O que é que eu tô fazendo aqui?”, pensei.

Mas, como em toda excursão, tínhamos um cronograma para seguir. De ressaca, ou não, era hora de seguir viagem. Entramos no ônibus e pegamos a estrada. Sentei no fundo do ônibus e tentei dormir. Três horas depois, sem conseguir dormir e ainda na estrada, passei por um dos piores momentos da minha vida.

Comecei a sentir um monstro crescendo dentro de mim, uma cólica terrível, daquelas que chega sem aviso prévio, de ação imediata. E a estrada não acabava. Era eterna. Eu só via deserto e montanhas. O ônibus não tinha banheiro. O suor escorria pelo rosto e pingava no chão.

Fechei os olhos, levantei a cabeça, apertei com força os braços da poltrona e pensei “Ó meu buda querido, não me faz passar vergonha no meio dessa gente toda. Eu tenho me comportado tão direitinho”. Mas o monstro só crescia! E eu, lá no fundo do ônibus, sem poder me mexer, não sabia nem como pedir para o motorista parar. Nessas horas passa de tudo pela nossa cabeça. Olhei pra minha mão esquerda e pensei: ‘Daria o meu mindinho por um banheiro’…”

Trecho do livro ‘Amante na China’

Não esqueça, o lançamento é nesta terça-feira, 09 de agosto, 19h, na Livraria da Travessa em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Comentários (1)

 

  1. Gian says:

    Fala Richard! Parabéns pela autoria do livro…Com certeza será um grande sucesso! E ai vai mandar uns exemplares para nos lermos?

    Abraços…. Gian