O terremoto que abalou o país

“Era uma segunda-feira, 12 de maio de 2008; faltavam menos de três meses para os Jogos Olímpicos e já fazia calor em Pequim. O inverno tinha ido embora de vez e a gente finalmente podia sentar nas mesas ao ar livre para tomar um café depois do almoço. Eu pedi um capuccino e a Lauren, um café preto. Passava um pouco das duas horas da tarde e resolvemos jogar cartas para matar o tempo, enquanto esperávamos pelas aulas de chinês que teríamos em seguida.

O Eduardo Kim, amigo brasileiro que estava numa mesa próxima, recebeu um telefonema e veio logo nos dar a informação:

– O Pacha ligou e disse que teve um terremoto aqui na China, perto de Beijing. Ele estava trabalhando no centro, em um escritório no décimo sexto andar, e disse que sentiram o prédio balançando. Saíram todos para a rua e viram que os outros prédios também estavam sendo esvaziados.

– Quem é Pacha? – perguntei, cortando o baralho.

– Gabriel, meu amigo peruano – respondeu o Edu.

– E foi forte? Caiu algum prédio? – perguntou a Lauren, mais interessada que eu.

– Parece que foi fraco. Os prédios só balançaram um pouco, parece que está tudo inteiro. Vocês sentiram alguma coisa? – perguntou o Edu, sentando na nossa mesa. – Porque eu não senti nada.

– Eu não senti nada, não – respondi. – Dizem que a gente, que está perto, geralmente sente alguma pressão no ouvido, uma tonturinha, mas eu não senti nada.

– Eu também não senti – completou a Lauren. – Mas onde será que foi o epicentro? Será que foi grave?

– Vamos esperar, daqui a pouco chegam mais informações – disse o Edu, acendendo outro cigarro.”

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