Táxi na China. Esse assunto vai longe…

Aproveitando o assunto, vou falar um pouco mais sobre táxis em Beijing.

Andar de táxi por aqui é muito barato (muito mesmo!). A corrida inicia em ¥10, demora pra começar a aumentar, e aumenta bem devagar. Ou seja, a gente atravessa a cidade com, no máximo, ¥60 (cerca de R$ 15,00). E olha que a cidade não é pequena, mesmo sem trânsito dá pra tirar uma soneca. Pro aeroporto, que é um pouco mais longe, a gente gasta cerca de ¥100 (faça as contas!).

Mas, pra pagar esse preço, você tem que concordar com as condições implícitas nesse tipo de serviço. No momento em que você entra no carro, você autoriza o motorista a ir aonde ele quiser. Ou ele não sabe o endereço, ou se faz de louco, erra de propósito e diz que não entendeu. Às vezes, mesmo apontando no mapa, o sujeito diz que não entende.

Ao entrar no carro você também autoriza o motorista a emitir os mais diversos ruídos e a exalar os mais inimagináveis odores. Pra começar, todo táxi tem cheiro de comida, alho e pimenta. Mas você ainda pode ser brindado com um sonoro arroto, uma catarrada multimídia ou um axfixiante peido. Preste muita atenção: é inverno, todos carros tem aquecimento, as janelas estão fechadas. De repente, o motorista aumenta o som e abre uma fresta na janela… se prepare, aí vem coisa. Ou melhor, aí vem peido.

E tem mais, o motorista tem o direito de nem levá-lo a lugar algum, de mandar você descer e ainda ofendê-lo. Alguns até perguntam onde você quer ir, outros nem perguntam, mandam descer direto, mesmo que você fale chinês. Ou, pior, nem páram se você é estrangeiro.

Ele tem o direito de escolher a rádio que você vai ouvir. Você pede pra colocar na Babaqi (88.7), que é a rádio que toca música internacional, e ele aumenta o volume da rádio-novela.

Mas nem tudo é ruim. Às vezes a gente pega um motorista gente boa, que vai conversando, ensinando alguma coisa de chinês, rindo do nosso sotaque e perguntando coisas do inglês. Aliás, poucos falam inglês, a maioria sabe que precisa aprender e alguns até estudam.

Quer uma dica? Até conhecer a cidade, saber os caminhos que o táxi deve percorrer, sente no banco da frente com o mapa aberto e vá acompanhando o trajeto. Assim você não se deixa ser enganado.

PS: É comum chamar o taxista de “shifu”, que significa “mestre”.
PS2: Não se dá gorjeta. Alguns aceitam, mas alguns acham que é falta de respeito.

Bem-vindo à Beijing, China.

Comentários (6)

 

  1. Scofield says:

    Perdão, Charles. O comentário não é endereçado a você, mas a M. Martínez. Só percebi depois que o post foi publicado. Me desculpe.

  2. Scofield says:

    Charles Amante é a pessoa mais sortuda do planeta, quiçá da galáxia. Num lugar onde as situações relatadas pelo brimo acontecem em escala de bilhão de vezes, ele nunca ouviu flatulências ou arrotos???!!!!! Fala sério. Este texto é a mais pura verdade sobre táxis em Pequim e não dá ” impressão errada da China para alguns brasileiros pouco atentos ou preparados”. Mas quer saber? Eu descobri que o fã da China é um sujeito meio petista radical, aquele que só enxerga o que quer ver. Dinheiro na cueca? Exagero. Mensalão? Conspiração da mídia. Arroto e escarro no táxi? Má impressão. Sei…

  3. Charles Amante, brimo do says:

    creio que há pessoas que não tem coragem nem competencia para colocarem suas opinioes e ficam complicando.

  4. M. Martínez says:

    1 – “(…) pra pagar esse preço, você tem que concordar com as condições implícitas nesse tipo de serviço” – Desculpe, moro aqui há seis meses e NUNCA tive que CONCORDAR com essas tais condições. Posso ser um sujeito de sorte, mas após seis meses? Talvez eu tenha que jogar na mega-sena;

    2 – “(…) você autoriza o motorista a ir aonde ele quiser. Ou ele não sabe o endereço, ou se faz de louco, erra de propósito e diz que não entendeu. Às vezes, mesmo apontando no mapa, o sujeito diz que não entende.” – em seis meses, só uma vez isso me aconteceu. O taxista não me cobrou nada;

    3 – “(…) você também autoriza o motorista a emitir os mais diversos ruídos e a exalar os mais inimagináveis odores. Pra começar, todo táxi tem cheiro de comida, alho e pimenta. Mas você ainda pode ser brindado com um sonoro arroto, uma catarrada multimídia ou um axfixiante peido.” – não é verdade. Ninguém em são consciência autoriza alguém a fazer isso, mas entendo a pilhéria (sua, no caso). E olha, acho que não sou um sujeito de sorte, não. Talvez. você é que seja o azarado. Fora escarros (acho que uma instituição chinesa), NUNCA ouvi eructações ou senti flatulências;

    4 – “ofendê-lo” ?. Meus parabéns pelo seu conhecimento em chinês. Eu só conheço “shabi”, dito aliás por ocidentais PARA orientais. Nunca percebi essa tal ofensa. (Qual de nós dois será o sortudo ou o azarado?)

    5 – “Ou, pior, nem páram se você é estrangeiro” – Não visto a carapuça do racismo na condição de vítima. Várias vezes vi isso acontecer com chineses. Você não acha que há um pouco de exagero seu em algumas questões? Pode dar uma impressão errada da China para alguns brasileiros pouco atentos ou preparados.

    6 – Ele tem o direito de escolher a rádio que você vai ouvir – Ué? E qual a diferença disso com os EUA, Brasil, Buenos Aires. Em todos esses lugares enfrentei o mesmo problema. É verdade que em Londres os taxistas DO SERVIÇO HOMOLOGADO são educados, os demais, diria, são tão intransigentes quanto os chineses. Mas essa não é uma prerrogativa deles. Aliás, as únicas duas vezes que me senti incomodado, pedi para desligar e eles atenderam (não sei se felizes, mas atenderam).

    7 – “shifu”. Perdão, se aproxima de “companheiro”. Esse termo entrou em uso após a implantação do socialismo na China. É uma maneira que acharam para tentar igualar as pessoas, sem castas, sem servidão. É parecido ao “aí”, utilizado com as empregadas domésticas, e que se aproxima do nosso “titia”.

  5. jugger says:

    a olimpiada começa em alguns meses, esta é a recepção que os turistas terão? o comite central do partido comunista tem que se mexer, e rapido…

  6. acho que arabes e chineses devem ter algum parentesco :)